É lá pelo sexto mês de gravidez que algumas mulheres recebem o resultado do exame de glicemia mostrando que estão com açúcar demais no sangue. Esse sobressalto caracteriza o diabete gestacional. 

No último trimestre da gravidez, a mãe tende a comer mais, afinal, acha que precisa alimentar o filho que cresce em seu ventre. A insulina, hormônio responsável por levar o açúcar da comida para dentro da célula, tem seu desempenho atrapalhado por substâncias liberadas pela placenta. Aí, sobra glicose na circulação, mesmo que o pâncreas — glândula que fabrica a tal da insulina — trabalhe a todo vapor. 

Tem outra coisa: com as transformações pelas quais o corpo da mulher passa para aninhar o bebê, ninguém estranha o aumento das idas ao banheiro para fazer xixi, cansaço, mudanças no padrão da fome… 

Esses sinais são tão comuns em qualquer gestação que ninguém pensa, de cara, que também podem indicar um diabete. Tudo se confunde.

Diabete mellitus gestacional é a intolerância aos carboidratos diagnosticada pela primeira vez durante a gestação e que pode persistir ou não após o parto, e atinge cerca de 10% das grávidas no Brasil. 

A doença traz diversos riscos para a saúde e bem estar do bebê que pode desenvolver hipoglicemia, má-formação fetal e, nos casos mais graves, até falecer. O risco maior, assim como no diabetes não gestacional, é quando a doença não é controlada.

Tipos de diabetes na gestação

Quando o diabetes da gestante não é controlado há um risco maior de óbitos fetais tardios após a 32ª semana de gestação. 

O líquido amniótico, que envolve o feto, é outra preocupação já que seu excesso dele, causado pelo descontrole da glicemia, pode atrapalhar a respiração da mãe ao comprimir o diafragma.

O diabetes gestacional pode ser dividido em duas classificações: 

  • A1, que pode ser controlado apenas com dieta;
  • A2, que exige uso de medicamentos. 

Só mesmo com um pré-natal cuidadoso e o teste de glicemia de jejum é possível detectá-lo. 

E diga-se: o diabete gestacional é tão preocupante que a Organização Mundial da Saúde recomenda mais rigor na interpretação desse exame, realizado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. Antes se decretava o diabete se o resultado fosse igual ou maior que 95 miligramas de glicose por decilitro de sangue. Agora, a grávida já estaria com o distúrbio se ele der igual ou superior a 92 mg/dl. E, além das complicações que pode trazer à saúde da gestante, como o aumento da pressão arterial e prejuízos aos rins, há possibilidade de o diabete se instalar de vez no futuro, após a gestação.

A situação das gestantes deve ser avaliada a fim de impedir a evolução da doença, e para evitar o quadro, vale relembrar que os principais fatores de risco são o sedentarismo e obesidade.