Um estudo britânico publicado recentemente no American Journal of Clinical Nutrition mostrou que uma boa noite de sono, de pelo menos 7h, pode levar a uma ingestão significativamente menor de açúcares em comparação com aqueles que tem um com sono reduzido, de 5 a 7h. 
 
De fato, nesse estudo aqueles que tiveram um sono prolongado reduziram muito a ingestão de gorduras, carboidratos e açúcares simples em comparação com aqueles que tiveram uma noite de sono com menos de 7h. Segundo os pesquisadores: “O sono é cada vez mais reconhecido como um potencial fator de risco que pode estar envolvido na etiologia complexa da obesidade e das doenças cardiometabólicas“. 
 
Esse estudo incluiu 42 indivíduos, com idades entre 18 e 64 anos, todos com peso normal no início (IMC <30). Todos os participantes relatavam ter uma noite de sono curta (<7h). Alguns critérios de exclusão do estudo incluíram história de câncer, diabetes, doença cardiovascular, doença hepática crônica, doença renal, distúrbios da tireóide e doença inflamatória intestinal.
 
Antes do estudo todos os participantes foram equipados por 4 semanas com uma actigrafia (exame simples para detectar alterações do sono e do ritmo circadiano). Alem disso, os comportamentos nutricionais foram avaliados através de um questionário de comportamento alimentar. 
 
Todos os participantes foram randomizados, metade para um programa de extensão do sono e a outra metade continuou com sono curto habitual. A intervenção de extensão do sono incluiu uma consulta personalizada com um psicólogo para melhorar a higiene do sono através da intervenção comportamental. 
 
Os resultados são interessantes, várias mudanças dietéticas significativas foram observadas entre os indivíduos que tiveram uma extensão do sono em comparação com os indivíduos que dormiram menos de 7h:
 
Diminuição da ingestão de açúcar refinado: diferença média -11,8 g 
Diminuição da ingestão de carboidratos: -28,5 g 
Diminuição da ingestão de gordura: -3,7% de energia 
 
Apesar dos resultados, existem críticas ao estudo principalmente pela população analisada que não foi diversificada.  As participantes eram predominantemente mulheres jovens brancas recrutadas em um ambiente universitário, o que pode limitar a generalização dos resultados a outros grupos sócio-demográficos.
 
Novos estudos deverão investigar esta descoberta ainda mais, com estudos de longo prazo que examinem a ingestão de nutrientes e a aderência contínua aos comportamentos de extensão do sono com mais detalhes, especialmente em populações em risco de obesidade ou doenças cardiovasculares. No entanto, o que não podemos negar é a importância de uma boa noite de sono para uma vida saudável e, quem sabe, para escolhermos melhor nossos alimentos. 
 
Referências: 
 
1) Al Khatib H, et al “Sleep extension is a feasible lifestyle intervention in free-living adults who are habitually short sleepers: a potential strategy for decreasing intake of free sugars? A randomized controlled pilot study” Am J Clin Nutr 2018; DOI:10.1093/ajcn/nqx030.
 
Por: Dr. Guilherme Renke
Médico da Nutrindo Ideais