O whey protein, ou proteína do soro do leite, foi considerado um resíduo pela indústria de laticínios por décadas. Mas felizmente o seu potencial como suplemento está sendo reconhecido nas últimas décadas. O soro de leite contém 15 a 20% de proteínas totais do leite, com alta qualidade nutricional e de rápida absorção. Essa proteína do soro do leite é globular com os seguintes componentes principais: beta-lactoglobulina (35-65%), alfa-lactoglobulina (12-25%), imunoglobulinas (8%), albumina (5%) e a lactoferrina (1%).

O whey protein é, também, uma fonte rica de aminoácidos de cadeia ramificada: leucina, isoleucina e valina (BCAA) e outros aminoácidos essenciais como a cisteína (o precurssor da glutationa um potente antioxidante). A leucina é, também, um dos aminoácidos mais abundantes do whey protein e desempenha um papel fundamental na regulação da síntese de proteínas musculares.

Quais os benefícios do whey protein para a saúde?

O whey pode ser usado por qualquer pessoa com o objetivo de se aumentar o aporte nutricional de proteínas, em especial nas pessoas com sobrepeso e obesidade onde há uma prevalência nutricional do carboidrato. Essas pessoas com sobrepeso apresentam maior risco de resistência à insulina e hipertesão arterial. O diabetes 2 e a resistência à insulina são alguns dos maiores problemas de saúde pública atuais e estão relacionados a uma série de complicações da hiperglicemia como: a perda da visão, a aterosclerose, a síndrome metabólica, úlceras em membros inferiores e a esteatose hepática. Estudos mostram que o whey protein pode diminuir os níveis de glicose no sangue e aumentar a liberação de hormônios que diminuem o apetite (leptina e PYY).

Além disso, uma descoberta recente é que o consumo regular do whey protein no café da manhã parece diminuir a glicemia pós-prandial, diminuir a hemoglobina glicada (HbA1c) e favorecer o emagrecimento. Esse estudo comparou três grupos com diferentes cafés da manhã. O primeiro grupo recebeu o café tradicional (carboidratos + 13g de proteína); o segundo grupo recebeu um café com ovos, queijo e atum contendo 36g de proteínas no total; o terceiro grupo recebeu apenas um shake de whey protein com 36g de proteína. O estudo evidenciou que o whey protein parece estimular o GLP-1 hormônio que possui potente ação na diminuição da glicemia através da estimulação da insulina e da inibição do glucagon. Na conclusão dos autores: “O whey deve ser usado como uma estratégia importante no tratamento do biabetes 2“

Como o whey protein pode atuar na diminuição da pressão arterial?

Até o momento existiam apenas estudos com animais mostrando que o whey poderia atuar simulando um inibidor da ECA (medicamento usado para reduzir a pressão arterial em pacientes hipertensos). De fato, os peptídeos derivados do whey têm um efeito inibidor contra a enzima conversora da angiotensina (ECA) e funcionam da mesma forma que os fármacos inibidores da ECA. Pesquisas recentes também apontam para outros mecanismos anti-hipertensivos além da inibição da ECA, por meio de interações com outros hormônios e dilatação e elasticidade das paredes dos vasos sanguíneos. Peptídeos anti-hipertensivos derivados da lactoferrina, por exemplo, podem aumentar a atividade de genes que codificam proteínas envolvidas com o óxido nítrico (que dilata os vasos sanguíneos) e prostaglandinas (que regulam a inflamação).

Estudo publicado agora em março de 2018 na conceituada revista científica Nature confirma essa hipótese. Nesse estudo foi observada uma queda signifcativa na pressão sistólica após ingestão de 28g whey junto com café da manhã com alto teor de gordura quando comparado com ingesta de caseína ou maltodextrina em indivíduos com hipertensão leve (até 159x99mmhg). Além disso, o whey pareceu melhorar as medidas de rigidez arterial ao longo de um período pós-prandial de 8h em comparação com a caseina e a maltodextrina.

Segundo a brilhante avaliação desse estudo feito pelo nutrólogo Dr. Guilherme Giorelli: “o whey protein foi eficiente para a diminuição da pressão arterial. Se observou que até 5 horas após o consumo de whey protein, houve uma diminuição da pressão arterial sistólica de 15 mmhg”. Ainda segundo Giorelli maiores estudos são necessários: “O trabalho foi apenas o primeiro, é pequeno, portanto ainda são necessárias mais pesquisas, para que possamos recomendar seu uso específico para os pacientes que sofrem de pressão alta. A ciência avança e precisamos de muita calma e análise crítica antes de tirarmos conclusões”.

Então, afinal qual a dosagem e como devo tomar o whey?

Fundamental salientar os riscos do uso do whey protein sem acompanhamento médico e nutricional. A ingesta extra de qualquer macronutriente, incluindo a proteína, sem ajuste da alimentação pode trazer prejuízos para a composição corporal. Além disso, o calculo da ingesta do whey vai depender de diversos parâmetros, a saber: peso, altura, idade, nível de aptidão física, volume de treinamento, tipo de treinamento realizado, objetivos do indivíduo, presença ou não de comorbidades e etc… Faça acompanhamento médico regular.

Referências:

1) Fekete, Á. A. et al. Whey protein lowers blood pressure and improves endothelial function and lipid biomarkers in pre- and mild hypertensive adults: results from the chronic Whey2Go RCT. Am J Clinical Nutr. 104, 1534–1154 (2016).

2) Fekete Á. A. Et al. Whey protein lowers systolic blood pressure and Ca-caseinate reduces serum TAG after a high-fat meal in mildly hypertensive adults. Nature Sci Rep. Mar 22;8(1):5026. (2018).

Por: Dr. Guilherme Renke
Médico da Nutrindo Ideais