Ekkapol Ake Chantawong, de 25 anos, viveu 17 dias difíceis em uma caverna na Tailândia, onde ficou preso com 12 meninos do seu time de futebol.

Seu apelido é Ake e ele é ex-monge budista. Em entrevista à CNN, Thamma Kantawong, tia de Ake, declarou que ele ficou órfão muito cedo.

“Sua mãe morreu quando ele ainda era muito, muito jovem e seu pai faleceu quando ele tinha apenas 10 anos”, disse ela. Seu único irmão também morreu muito jovem.

Como muitas crianças órfãs na Tailândia, Ake deixou sua casa de infância em Mae Sai para se tornar um monge budista em um mosteiro na província vizinha de Lum Phun.

Ainda de acordo com a reportagem da CNN, ele permaneceu sob os cuidados do monastério durante a maior parte da década seguinte, voltando apenas à sua cidade natal para ver sua avó.

Equipe de resgate caminham pelo complexo de cavernas Tham Luang durante missão para resgatar os meninos e o treinador de futebol (Foto: Reprodução/Twitter @elonmusk/via Reuters)

Equipe de resgate caminham pelo complexo de cavernas Tham Luang durante missão para resgatar os meninos e o treinador de futebol (Foto: Reprodução/Twitter @elonmusk/via Reuters)

Meditação

Foi nesta fase que Ake aprendeu a meditar, técnica que ele pratica até os dias de hoje.

“Ele consegue meditar até uma hora”, disse sua tia. “Definitivamente ajudou-o e provavelmente ajuda os meninos a manterem a calma”, declarou.

A prática pode ter ajudado Ake a manter a calma dentro da caverna ao longo dos dias. Para Juliana Sato, psicóloga e coach de meditação, a técnica ajudou Ake também a focar em não se culpar pelo ocorrido.

As etapas da meditação (Foto: Betta Jaworski/G1)

As etapas da meditação (Foto: Betta Jaworski/G1)

Para Jonas Masetti, mestre de Vedanta – o nome do estudo realizado a partir do final dos Vedas, que deu origem ao conceito popular de autoconhecimento – como ake já praticava a meditação, foi mais fácil para ele recorrer à técnica.

“Na meditação, a pessoa está entregue pensando sobre um tema. Digamos, que levaria 6 horas para a pessoa se acalmar, na meditação levaria 10 minutos. Principalmente se já existe a prática, e ele não aprendeu lá dentro”.

Elisa Harumi Kozasa, pesquisadora que fala sobre as vantagens da meditação aplicada na medicina, acredita também que a prática de Ake pode ter ajuda não só a ele, como talvez até aos meninos.

“Muita gente chega e fala: ‘me ensina a meditar que estou estressado’. Geralmente isso não funciona muito bem, você precisa ter um aprendizado prévio para ter mais controle emocional. Neste caso específico, em que um deles já praticava há mais tempo, deve ter sido o suporte pra aqueles que não tinham a experiência”.

 

O que é meditação?

A meditação, apesar de praticada por algumas religiões, não está associada à uma religião específica. É uma técnica que pode ser feita por qualquer pessoa.

“A definição técnica é que um fluxo de pensamentos de mesma característica que conecta você com o divino. Esse divino é uma metáfora, conecta você com sua paz interior”, explica Masetti.

Mesmo que a meditação não esteja ligada a uma única religião, a prática é comum entre os budistas. Dados de 2015, divulgado pela CIA, dos Estados Unidos, mostram que 94,6% dos tailandeses são adeptos à religião.

 

O que acontece no corpo durante a meditação?

“Basicamente, o indivíduo relata durante a prática uma maior ativação de regiões do cérebro relacionadas à tensão, regiões pré-frontais que podem ajudar em questões emocionais”, disse Kozasa. “Geralmente, em uma sessão as pessoas relatam relaxamento, mas não são resultados duradouros. Resultados mais consistentes só depois de um período de treinamento”, completou.

Masetti também acrescenta que a meditação pode funcionar como um estado de sono profundo: “A primeira capacidade que a meditação traz é a nível físico energético, que é o descolamento do externo para o interno. Você esquece tudo que está acontecendo ao seu redor”.

“É como se a pessoa estivesse em sono profundo, então consegue alguns resultados de cura que só são possíveis quando se está em sono profundo”, diz.

 

Por que ajuda com a ansiedade?

Jonas explica que a meditação diminui os batimentos cardíacos e a frequência respiratória, permitindo que a pessoa esteja focada em seu interior: “Dentro da meditação você tem a oportunidade de lidar com situações sem o medo e sem a ansiedade do estado ‘acordado’. Na meditação, a pessoa está entregue pensando sobre um tema. Digamos, que levaria 6 horas para a pessoa se acalmar, na meditação levaria 10 minutos.”.

Para Sato, o lado psicológico pode se beneficiar muito: “A meditação muda os padrões neurológicos do cérebro, diminuindo as atividades cerebrais, o que leva a calma e tranquilidade emocional em qualquer situação. O meditador desenvolve confiança e fé. Ao voltar a atenção à respiração, a mente é direcionada ao momento presente, ocorrendo equilíbrio emocional constante”.

 

Como a meditação pode ter ajudado a lidar com a fome?

Sato explica que apesar do corpo sentir fome e sono, com a meditação a mente se mantém equilibrada, o que pode ajudar em situações extremas.

“A prática de meditação diminui à frequência cardíaca e respiratória, diminuindo o gasto calórico e energético. O corpo e o cérebro entram em outras frequências, o que ajuda a sobrevivência em casos extremos aumentando possibilidades de clareza mental e domínio de pensamentos”.

 

Fonte: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/tecnico-preso-em-caverna-na-tailandia-e-adepto-da-meditacao-entenda-como-tecnica-pode-ajudar-a-manter-a-calma.ghtml