Emagrecer, engordar, conseguir emagrecer de novo e voltar a ganhar peso: quem nunca passou por isso ou conheceu alguém que vive nesse ciclo? O problema é conhecido como efeito sanfona e além de gerar muita frustração e ansiedade, pode causar problemas sérios para saúde do corpo. De acordo com uma pesquisa que será publicada na edição de março do Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, o efeito sanfona está ligado à diabetes e a problemas cardiovasculares. Índices baixos de massa magra e a presença de gordura visceral ajudam a explicar os resultados do levantamento.

O estudo acompanhou por 16 anos 3.678 pessoas. Entre os participantes que tiveram maior variação de peso, foram encontrados mais diagnósticos de obesidade, diabetes e hipertensão. O resultado do estudo reforça indícios presentes em pesquisas anteriores, que já relacionavam o efeito sanfona à inflamação de tecidos e à resistência à insulina. De acordo com eles, quem engorda e emagrece muitas vezes têm mais chances de desenvolver esses males do que pessoas que se mantiveram acima do peso.

Guilherme Renke, endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que pacientes que entram e saem de dietas restritivas e não fazem atividade física perdem gordura e massa muscular durante a dieta e quando voltam a engordar ganham apenas gordura, deixando um déficit na porcentagem de massa muscular. De acordo com o médico, o baixo índice de massa magra deixa o metabolismo lento, além de causar os problemas apontados pela pesquisa.

O que chama atenção são os casos de oscilação de peso cada vez mais frequentes entre a população jovem. Ainda de acordo com o endocrinologista, em sua clínica, nos últimos seis anos, 40% dos pacientes tinham menos de 30 anos. “Neste grupo, a porcentagem de sedentários chega a 70% no Brasil. Isso está diretamente ligado ao crescimento do efeito sanfona entre eles,” esclarece.

A boa notícia é que o quadro, mesmo após anos de ‘’engorda’’ e ‘’emagrece’’, pode ser revertido. “É absolutamente possível com acompanhamento de um endocrinologista, nutricionista, educador físico e um profissional de saúde mental. Quando temos problemas com ganho e perda de peso, precisamos de um tratamento em longo prazo. E não adianta passar pela reeducação alimentar e não fazer atividade física”, alerta.