Chocolate pode piorar os transtornos alimentares, mas também pode trazer benefícios se consumido com moderação

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É bastante comum dar uma volta no supermercado, e dar uma passada no corredor de guloseimas e o mesmo estar repleto de chocolate. A maioria dos que sofrem de compulsão alimentar se denominam chocólatras (viciados na guloseima), contam que o chocolate é um grande desafio pois se torna um desencadeador dos sintomas da doença.

 

Mas, como saber se sou compulsivo por chocolates? Quando devo estar atento?

Existem alguns sintomas que podem servir de alerta para a pessoa que pode estar desenvolvendo um possível transtorno de compulsão alimentar relacionado ao chocolate, são eles: 

1 – Comer uma quantidade excessiva de chocolates em um período de 1 a 2 horas, de forma descontrolada, sem conseguir evitar de comer ou parar de comer.

2 – Comer escondido por ficar constrangido ou não ter que dividir.

3 – Comer até ficar fisicamente mal, cheio, “estufado“; ou sentir culpa ou angústia após comer dessa maneira.

É importante dizer, contudo, que esses transtornos alimentares, não ocorrem apenas em uma data festiva ou em um domingo como o de Páscoa, no qual as pessoas se permitem exagerar nos chocolates. Para pensarmos em compulsão, esse comportamento deve estar acontecendo pelo menos uma vez por semana nos últimos três meses.

Segundo o psiquiatra Higor Caldato, especialista em transtornos alimentares pela UFRJ: “Gostar de chocolate não é um problema, e sim, o comportamento alimentar e as questões emocionais relacionadas a ele que precisam ser avaliados com cuidado. Até porque o chocolate pode trazer benefícios importantes para a saúde física e mental, se consumidos da maneira correta.“

 

Mas existem benefícios no consumo do chocolate?

Sim, o consumo do chocolate está relacionado com alguns benefícios. A semente do cacau é rica em substancias como os polifenóis e os flavonóides que possuem um provável efeito antioxidante no nosso organismo. Observando-se diversos estudos, a semente do cacau possui um grande poder antioxidante entre os todos os alimentos. Um exemplo é o estudo de Crozier et al. publicado em 2011 que evidencia o alto escore ORAC da semente do cacau. A medida ou escore de ORAC (Oxygen Radical Absorbance Capacity) é um padrão científico que atribui o valor antioxidante para alimentos e substâncias. Um alto ORAC significa maior poder antioxidante do alimento e a semente do cacau possui um dos maiores em comparação com outros super alimentos como o açaí e o blueberry. 

Um outra grande pesquisa recente de Sansone et al publicada em setembro de 2015 no British Journal of Nutrition mostra que o consumo diário de 450mg de flavonóides do cacau foi capaz de melhorar a função endotelial em pacientes de risco para doenças cardiovasculares, além de minimizar a porcentagem de eventos cardiovasculares dentro de um período de 10 anos de acordo com o escore de risco Framingham. Segundo o estudo a ingestão de flavonóides do cacau (CF) melhorou a função endotelial em pacientes com fatores de risco para doenças cardiovasculares.

 

Como saber escolher o melhor chocolate para minha saúde?

Os benefícios não estão relacionados com consumo do chocolate processados em geral que são ricos em açúcar (ovos de páscoa), mas sim com o consumo dos chocolates com quantidades de cacau >70%, como os chocolates amargos. Outra opção é fazer o seu próprio chocolate artesanal ou comprar o cacau “in natura“ nas formas de amêndoas (nibs) e cacau em pó 100%.

 

Quais os melhores chocolates?

– Chocolates orgânicos feitos com semente (Nibs ou Amêndoas) do Cacau “in natura“ ou feitos com cacau em pó orgânico.

– Chocolates de Alfarroba

– Chocolates Escuros ou Amargos (70 a 99% cacau)

 

Quais os piores chocolates para minha saúde?

– Chocolates processados pobres em cacau

– Chocolate ao leite

– Chocolate Branco

 
 

Referências:

1 – SJ Crozier,  AG Preston, JW Hurst et al. Cacao seeds are a “Super Fruit”: A comparative analysis of various fruit powders and products. Chem Cent J. 2011; 5: 5.

2 – R Sansone, A Rodriguez-Mateos, J Heuel et al. Cocoa flavanol intake improves endothelial function and Framingham Risk Score in healthy men and women: a randomised, controlled, double-masked trial: the Flaviola Health Study. British Journal of Nutrition (2015), 114, 1246–1255.

3 – SG Westa, MD McIntyrea, MJ Piotrowski et al. Effects of dark chocolate and cocoa consumption on endothelial function and arterial stiffness in overweight adults. British Journal of Nutrition (2014), 111, 04, 653-661.

4 – Heiss C, Dejam A, Kleinbongard P, et al. Vascular effects of cocoa rich in flavan-3-ols. JAMA (2003) 290, 1030–1031.

5 – Heiss C, Keen CL & Kelm M. Flavanols and cardiovascular disease prevention. Eur Heart J (2010) 31, 2583–2592.

 

Por Dr. Guilherme Renke
Médico atuante na área da Cardiologia e Medicina Desportiva. Formado pela Universidade Estácio de Sá, com pós-graduação em Cardiologia pelo Instituto Nacional de Cardiologia INCL RJ, pós-graduando em Nutriendocrinologia Funcional pela Faculdade Ingá e Endocrinologia pela IPEMED. Fellow e Membro da American Academy of Anti-Aging Medicine, Membro do American College of Sports Medicine, Membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Membro do Departamento de Ergometria e Reabilitação da SBC, e da World Society of Anti-Aging Medicine.